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O que é isto?


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Resolvi que devo mudar. Sim vou mudar. Não sei se para melhor, mas vou mudar.
Começando por cima, vou deixar meu cabelo crescer até os ombros, raspá-los na frente até o meio da cabeça e tingi-los de verde. Porém, um verde que seja bem alegre, mais alegre que a figura na qual me transformarei.
Vou pintar a área dos meus olhos, levando cores até a metade da testa e às maçãs da face, em dois círculos, ambos amarelados... meus olhos continuarão verdes.
Vou pôr um adereço em meu nariz, uma bolota vermelha, para combinar com um outro círculo que pintarei de vermelho ao redor dos meus lábios.
Me despirei das roupas sérias exigidas por meu ofício. Vestirei uma camisa em mangas curtas, cheia de flores, com um bolso onde eu possa guardar mais pirulitos que o meu número de filhos. Ela terá uma gola alta, mas não fina, chegando até a altura das minhas orelhas. Ficará sobre uma gravata florida em tons contrários, porém em cores alegres, possuindo a magia de subir e encostar em meu queixo cada vez que eu me sinta feliz.
Vou trocar a calça em tecido liso e de uma única cor. Vestirei uma bermuda dividida em quatro cores, cada corte das pernas, na frente e atrás, de uma cor diferente, e com um bolso na parte traseira tão grande que possa caber um número de pirulitos superior à quantidade de filhos que tenho.
E as minhas mãos, sempre mostradas sem adereço algum, estarão escondidas sob luvas coloridas descombinando com as inúmeras pulseiras de plástico duro, também coloridas, penduradas em cada um dos braços e fazendo barulho se, por acaso, eu me agitar um pouquinho.
Para quê, afinal, esse relógio de aço cronometrando os meus dias? Carregarei um relógio num dos meus braços, do tamanho das rótulas dos meus joelhos, analógico, colorido em seus ponteiros parados. Não terei necessidade de acompanhar o tempo com tanta preocupação, nessa minha nova forma de viver.
Minha meias pretas serão aposentadas numa gaveta, junto com outras peças do meu vestuário antigo, fechada com uma chave que será jogada fora. Minha novas meias? Ah! Elas serão simples, porém compridas e chegarão à altura dos meus joelhos. Uma azul e outra... pink!
Vou pôr os meus sapatos sociais, bico fino, couro preto opaco, lá na área destinada ao lixo. Que sirvam para outro. Comprarei um par de novos calçados emborrachados. Talvez uns dez números maiores que o meu pé, com enormes bicos arredondados. Jogarei fora seus cadarços. Quero conforto. Serão de duas cores, cada um dos pés terá a sua própria. Um será... já sei! Um azul e outro pink, entretanto calçando a meia ao contrário. Quero o contraste em meus pés.
No entanto, se por acaso eu não encontrar as roupas para comprar, nem o relógio, as pulseiras, a gravata, as meias e o par de sapatos coloridos, digo, se eu não conseguir a paciência para deixar os meus cabelos crescerem e decidir abortar toda essa mudança física, eu já decidi que vou tirar do meu rosto o semblante da seriedade e das preocupações. Quero sorrir muito mais! Sorrirei até no cerne da minha alma, de mim, de você... de todos. Até daqueles homens e mulheres ditas pessoas poderosas e importantes, levadas a si próprias tão melancólica e burocraticamente a sério. Coitadas... são umas coitadas, porque não ousam, jamais, enfrentar uma mudança, por menor que ela seja.
Também vou remover o estresse do meu espírito e as amarguras da minha alma serão jogadas num mar sem memórias, sem lembranças e com ondas puxando apenas. Amarrarei às minhas mágoas o conjunto de rancores que eu tenho, fazendo um pacote só e que ele vá alimentar os peixes das intrigas longe de mim, no alto mar do esquecimento.
Afinal, resolvi que devo mudar. Sim vou mudar. Não sei se para melhor, mas vou mudar. Embora saiba que continuarei sendo eu mesmo.

27/01/2012 Publicada por Jesus de Rita de Miúdo.


cuida cuida Jesus ta de noite

29/01/2012 13:54 Aprigio aprilandia@hotmail.com Pirangi do sul

Perfeito amigo. agora mais que nunca tenho a certeza que todo mundo pode trocar tudo na vida, menos o clube do coração. Ficou definitivamente esclarecido que você só ama o ABC FC, para desespero de OSVALDO E JUNIOR...

29/01/2012 09:39 Janser Junior janser.junior@ems.com.br Natal RN

AMEI.BEM CRIATIVO.

28/01/2012 09:19 Celina Rego celina.rego@yahoo.com.br Fortaleza.Ceara

...e minhas lágimas serão guardadas no bagageiro do trailer para serem jogadas numa estrada esquecida... Crônica maravilhosa

27/01/2012 20:32 Jaécia B. Brito jaepoesia@hotmail.com Acari-RN

Hoje, eis que me sentí feliz. Chegando em casa pelas duas da tarde, deparei-me com alguém me esperando. Um figuraço em todos os aspectos. Um pedaço de Acarí! Inácio Camarão, taxista. Talvez poucos o conheçam. Talvez alguém desempenhe sua profissão melhor que êle é um fato no mundo das disputas. Mas o tempo que fiquei no interior do Nordeste, ano passado, fui cuidadosamente transportado por êle, como se um guia turístico o fosse. Várias vezes Currais Novos, Cruzêta, Gargalheira, Jardim do seridó e ainda se embrenhou em meio ao mato, no que há quarenta anos atrás, era uma estrada, hoje tomada pelo mato, mas me levou frente ao Cabeço do Urubu,para os lados do Saquinho, na antiga casa onde morei, já desmoronada e testemunhou minhas lágrimas de emoção. Cumpriu a promessa que um dia tomaria um café em minha casa. De repente, pensei estar em Acari, batendo um papo com ele enquanto as mulheres ainda conversavam às despedidas. Sirva-se de minha felicidade, Jesus! Palhaço, não! Abraço!

27/01/2012 20:28 Arli Lopes de Araujo lopes.ala@hotmail.com Ituiutaba/MG

Lendo e imaginando a figura. Conhecendo um pouco sua alma, vi que ela permaneceu nua,intacta,jamais usará tal indumentária.Vc ameaça se vestir como todos nós nos sentimos atualmente. Belo texto. Desabafo verdadeiramente poético.

27/01/2012 17:03 Tânia Galvão galvaotania1@hotmail.com Natal

Isso é uma vida editada, retirando tudo o que é desnecessário. Adorei a crônica.

27/01/2012 14:23 Félix Maranganha fredfilipeia@gmail.com http://ocalangoabstrato.blogspot.com João Pessoa, PB

Meu grato amigo, gostei de sua suave e delirante sátira do bem. E que, sem delongas, mertamorfoseada em puro humor.

27/01/2012 13:37 Francisco, filho de José Aquilino fan_tero@hotmail.com Parnamirim-RN

um texto criativo

27/01/2012 11:13 Jaime Araujo jaimearaujo1@hotmail.com Cajazeiras PB

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