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Branquinha (esquerda de quem olha a foto) abraçada com a menina Luíza
Hômi, e se essa coisa desse Jesus aqui sem poder ter apóstolos for verdade? No mínimo os leitores desse fotoblog serão agraciados com as melhores e mais divertidas leituras.
Ontem postei um Pedro, o Simões, e hoje já vou de outro Pedro. Dessa vez é o Augusto (é, minha gente, a cultura romana tomou conta até dos nomes de alguns apóstolos de Jesus, o de Miúdo). E vejam que coisa engraçada: o Jesus Poderoso, o Cristo, tinha dois apóstolos com o mesmo nome, que era Tiago, tido como o Maior, e irmão de João; e o outro Tiago, tido como o Menor. Eu sei que existiu o caso dos dois Simões. Mas um passou a ser chamado mais de Pedro, enquanto o outro era o Zelota.
Já no caso do Jesus sem poder, o de Miúdo, são dois Pedros de verdade. Tomara, meu Deus, que não me apareça um Judas Iscariotes.
Bom, mas esse papo de apóstolos é uma brincadeira, claro. Afinal, os dois Pedros aos quais me referi são expoentes no que escrevem e não ficam abaixo de Jesus algum comedor de feijão, em nenhuma hierarquia. E se estou na frente deles em alguma coisa é, somente, se viermos numa lista em ordem alfabética. Aí, não vai ter como.
Bom, essa prosa comprida todinha apenas para dizer que recebi de Pedrinho de Dona Bel de Dr. Pedro Pires, o Augusto, um e-mail com o seguinte texto e foto postada hoje:
Jesus,
Uma das criaturas adultas mais puras que eu conheço se chama Maria de Fátima Pereira de Almeida, nossa querida Branquinha, que trabalha na casa de Bibi, minha sogra. A sua ingenuidade é algo inacreditável. Sempre que vou a Acari tem uma nova, dela. Situações do cotidiano que se transformam em narrativas hilárias, graças a sua ótica, sem maldade, das coisas. Há algum tempo atrás ela narrou para mim, a perseguição de um sapo a sua pessoa, na saída da igreja. Dei uma “enfeitadinha” no relato e transformei nessa sextilha que estou te mandando.
BRANQUINHA E O SAPO ENCANTADO
Como faz todo domingo
Branquinha acordou cedo
Adiantou o serviço
De trabalho, não tem medo
Arrumou-se e foi pra missa
Devoção não tem segredo.
Foi uma bela cerimônia
O padre tava inspirado
Caprichou no seu sermão
Sem deixar fiel cansado
Tudo tava uma perfeição:
Que domingo abençoado!
Mas foi a missa, findar
E a graça acabou
Foi saindo da igreja
Aí, o bicho pegou
Deu de cara com um sapo
Seu domingo desgraçou.
O sapo olhou pra ela
E disse: - Não tem saída
Ela se pôs a tremer
- Vou dar fim a sua vida
Não adianta correr
Sou muito bom de corrida.
Foi quando tentou gritar
Mas sua voz não saiu
Esperneou, fez de tudo
E ninguém, sequer, lhe viu
Só um “véi” que ia passando
Foi quem, a ela, acudiu.
O velho tomou a frente
E disse: - Deixe comigo
Já enfrentei cascavel,
Nunca temi o perigo,
Vou dar um chute no bicho,
Para sapo, eu não ligo.
O tinhoso abriu a boca
E deu um bote no pé
Lançando a sua língua
Ôhhh, sapo que era agé!
Só não engoliu o “véi”
Por causa do seu chulé.
Então, ele se soltou
Caindo fora da fria
Disse: - Meu Deus, obrigado
Abenção, Virgem Maria
Esse bicho é o sapirico
Nessa eu quase morria.
Aí, Branca ficou só
Com esse troço medonho
Enquanto ele cuspia
Viu que não era um sonho
Pensou: “Se eu não correr,
Não me livro do demônio”.
Fez frecheiro e arredou
Em busca da sua casa
Pela rua da matriz
Não voou por não ter asa
Nisso ele acompanhou
Maldição nunca se atrasa.
Em disparada, gritou,
No meio do rebuliço:
- Esse troço é encantado
Valei-me meu Padin Ciço
Me acuda, por favor,
Livre-me desse feitiço.
Já ‘tava perto da praça
Bem no centro da cidade
Passou por um pescador
Um senhor, de meia idade
Que retornava da pesca
Acredite, é verdade.
Esse sujeito andava
Cheio de peixe, na embira
Tilápia, tucunaré,
Curimatã e traíra
Eu não sei se foi milagre
Acho que a reza servira.
A traíra debateu-se
Quando passou pelo sapo
Estribuchou na embira
Dando um grande supapo
Se soltou e deu um bote
Passando o bicho no papo.
Livrou-se da maldição
Desse bicho desalmado
Acudida por um peixe
Ou um heroi escamado?
Que a salvou por acaso
Ou foi um anjo enviado?
Até hoje a menina
Em sinal de gratidão
Não bota peixe na boca
Lembrando do guardião
Agradece a “Padin Ciço”
Em prova de devoção.
FIM.
Valeu, Pedrinho! Obrigado pelas boas risadas que dei aqui. Afinal, literatura de cordel é exatamente isso: exagerar e enfeitar o “causo”.
E tudo que disser de Branquinha e sua inocência eu acredito. Até que ela fura com o dedo as frutas que encontra estragada no comércio, para preservar um cristão desatento que as compre e leve para casa.
06/01/2009 Publicada por Jesus de Miúdo.
Hômi, e se essa coisa desse Jesus aqui sem poder ter apóstolos for verdade? No mínimo os leitores desse fotoblog serão agraciados com as melhores e mais divertidas leituras.
Ontem postei um Pedro, o Simões, e hoje já vou de outro Pedro. Dessa vez é o Augusto (é, minha gente, a cultura romana tomou conta até dos nomes de alguns apóstolos de Jesus, o de Miúdo). E vejam que coisa engraçada: o Jesus Poderoso, o Cristo, tinha dois apóstolos com o mesmo nome, que era Tiago, tido como o Maior, e irmão de João; e o outro Tiago, tido como o Menor. Eu sei que existiu o caso dos dois Simões. Mas um passou a ser chamado mais de Pedro, enquanto o outro era o Zelota.
Já no caso do Jesus sem poder, o de Miúdo, são dois Pedros de verdade. Tomara, meu Deus, que não me apareça um Judas Iscariotes.
Bom, mas esse papo de apóstolos é uma brincadeira, claro. Afinal, os dois Pedros aos quais me referi são expoentes no que escrevem e não ficam abaixo de Jesus algum comedor de feijão, em nenhuma hierarquia. E se estou na frente deles em alguma coisa é, somente, se viermos numa lista em ordem alfabética. Aí, não vai ter como.
Bom, essa prosa comprida todinha apenas para dizer que recebi de Pedrinho de Dona Bel de Dr. Pedro Pires, o Augusto, um e-mail com o seguinte texto e foto postada hoje:
Jesus,
Uma das criaturas adultas mais puras que eu conheço se chama Maria de Fátima Pereira de Almeida, nossa querida Branquinha, que trabalha na casa de Bibi, minha sogra. A sua ingenuidade é algo inacreditável. Sempre que vou a Acari tem uma nova, dela. Situações do cotidiano que se transformam em narrativas hilárias, graças a sua ótica, sem maldade, das coisas. Há algum tempo atrás ela narrou para mim, a perseguição de um sapo a sua pessoa, na saída da igreja. Dei uma “enfeitadinha” no relato e transformei nessa sextilha que estou te mandando.
BRANQUINHA E O SAPO ENCANTADO
Como faz todo domingo
Branquinha acordou cedo
Adiantou o serviço
De trabalho, não tem medo
Arrumou-se e foi pra missa
Devoção não tem segredo.
Foi uma bela cerimônia
O padre tava inspirado
Caprichou no seu sermão
Sem deixar fiel cansado
Tudo tava uma perfeição:
Que domingo abençoado!
Mas foi a missa, findar
E a graça acabou
Foi saindo da igreja
Aí, o bicho pegou
Deu de cara com um sapo
Seu domingo desgraçou.
O sapo olhou pra ela
E disse: - Não tem saída
Ela se pôs a tremer
- Vou dar fim a sua vida
Não adianta correr
Sou muito bom de corrida.
Foi quando tentou gritar
Mas sua voz não saiu
Esperneou, fez de tudo
E ninguém, sequer, lhe viu
Só um “véi” que ia passando
Foi quem, a ela, acudiu.
O velho tomou a frente
E disse: - Deixe comigo
Já enfrentei cascavel,
Nunca temi o perigo,
Vou dar um chute no bicho,
Para sapo, eu não ligo.
O tinhoso abriu a boca
E deu um bote no pé
Lançando a sua língua
Ôhhh, sapo que era agé!
Só não engoliu o “véi”
Por causa do seu chulé.
Então, ele se soltou
Caindo fora da fria
Disse: - Meu Deus, obrigado
Abenção, Virgem Maria
Esse bicho é o sapirico
Nessa eu quase morria.
Aí, Branca ficou só
Com esse troço medonho
Enquanto ele cuspia
Viu que não era um sonho
Pensou: “Se eu não correr,
Não me livro do demônio”.
Fez frecheiro e arredou
Em busca da sua casa
Pela rua da matriz
Não voou por não ter asa
Nisso ele acompanhou
Maldição nunca se atrasa.
Em disparada, gritou,
No meio do rebuliço:
- Esse troço é encantado
Valei-me meu Padin Ciço
Me acuda, por favor,
Livre-me desse feitiço.
Já ‘tava perto da praça
Bem no centro da cidade
Passou por um pescador
Um senhor, de meia idade
Que retornava da pesca
Acredite, é verdade.
Esse sujeito andava
Cheio de peixe, na embira
Tilápia, tucunaré,
Curimatã e traíra
Eu não sei se foi milagre
Acho que a reza servira.
A traíra debateu-se
Quando passou pelo sapo
Estribuchou na embira
Dando um grande supapo
Se soltou e deu um bote
Passando o bicho no papo.
Livrou-se da maldição
Desse bicho desalmado
Acudida por um peixe
Ou um heroi escamado?
Que a salvou por acaso
Ou foi um anjo enviado?
Até hoje a menina
Em sinal de gratidão
Não bota peixe na boca
Lembrando do guardião
Agradece a “Padin Ciço”
Em prova de devoção.
FIM.
Valeu, Pedrinho! Obrigado pelas boas risadas que dei aqui. Afinal, literatura de cordel é exatamente isso: exagerar e enfeitar o “causo”.
E tudo que disser de Branquinha e sua inocência eu acredito. Até que ela fura com o dedo as frutas que encontra estragada no comércio, para preservar um cristão desatento que as compre e leve para casa.
06/01/2009 Publicada por Jesus de Miúdo.
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É meu caro Jesus de Miúdo, vamos aqui fazer uma diferença, para não misturar as coisas. Sabe você que foi um comentário sem maldade.
Más que rendeu uma bela história(estória), rendeu. E a literatura de cordel é realmente fascinante para quem a lê ou ouvi. Minha mãe, quando eu era muleque, tinha diversos livrinhos, editados em versos, que ela trouxe do Nordeste, quando se casou, há mais de 60 anos atrás, lembro-me bem quando ela os lia. Tinha Joazinho e Maria(não é o do dedo não), tinha Côco Verde e Melância e outros que não me lembro, mas que aprendí a lê-los e até cantá-los. Fascinante mesmo!
Abraço!
06/01/2009 16:11
Arli Lopes de Araújo
arli.lps@hotmail.com
Ituiutaba/Mg
No medo de sapo, estou pau a pau com Branquinha. Sou capaz até de muito mais. E vc Pedrinho, quando é que vai lançar seu livro, hein? Amei o sexteto, e como Jesus, dei risadas...
06/01/2009 10:11
Thaisa Galvão
thaisagalvao@gmail.com
www.thaisagalvao.com.br
Natal-Acari
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