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O que é isto?


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Barraca Nossa Senhora da teima, que eu não visito há muito tempo... Saudades!

De disputa por galinha mais saborosa

Comenta-se em Acari que dois bons cozinheiros reuniram amigos e torraram, cada um, uma galinha. A intenção era que os amigos formassem uma comissão julgadora e elegessem o melhor cozinheiro dos dois. É verdade que essa comissão foi escolhida por apenas um dos concorrentes, mas, pela seriedade dos seus participantes, aceita pelo outro.
O ambiente, uma velha casa de fazenda, recebeu todos e as duas penosas (mortas na presença da comissão e guardadas ambas no mesmo ambiente, para que qualquer sabotagem fosse totalmente impossível). Ali passaram a noite entre vigilância e preparo de temperos.
Torradas e degustadas venceu a galinha torrada pelo Velho. Também é verdade que houve uma certa decepção do outro concorrente. Mas, concurso é concurso.
Parabenizamos o vencedor!
Bom, talvez vocês não tenham entendido nada. Mas eu só posso explicar pessoalmente.

De feriado na Argentina

Cabra muito bom, um amigo meu Bem Informado. De tudo entende e entende de tudo! Hoje chegou no Cara-a-cara, ou Senadinho como tem sido apelidado, bem na hora que Félix Bezerra dizia:
- Hoje tem um jogão de bola na Argentina. A seleção da casa enfrenta a Espanha.
- Já está dois a zero para a Argentina – falou meu amigo Bem Informado, antes mesmo de sentar-se.
- Que conversa – retorquiu Félix. – Eu acho que o jogo será à noite.
- Nada! Hoje é feriado de Sete de Setembro e o jogo pôde ser à tarde, assim o povo pode ir assistir.
Risos gerais. Depois, ainda cismado com o fora que havia dado, o meu amigo Bem Informado discutiu e perdeu sobre o fuso horário argentino. Porém, tinha razão: o jogo estava ocorrendo naquele instante. Saiu sem saber que havia vencido sobre o horário, pedalando bem ligeiro a sua bicicleta.

De coisas passadas

Da obra de Ciduca Barros, abaixo em itálico:

SOMOS DO TEMPO EM QUE...

Somos do tempo em que papel higiênico era quadrado (papel Tico-Tico?). Lembram-se quando o papel higiênico era quadrado? Não confundam com o “papel higiênico tipo-jornal”. Falo daquele comprado em mercearias – também não tínhamos supermercados -, que vinha imprensado entrem dois papelões, lembrando, atualmente, um pacote de guardanapos. Aquele pacote de papel higiênico já vinha com um arame para dependurar na parede do banheiro, onde existia sempre um prego.
Somos do tempo em que a revista O Cruzeiro era a preferida. Naquele tempo não existia a variedade de revistas informativas que temos hoje. Mas tínhamos, além de A Cigarra, Manchete e Realidade, a revista O Cruzeiro, com suas seções: artigos de David Nasser, o Pif-Paf, com textos de Emanuel Vão Gôgo (pseudônimo de Millôr Fernandes), Carlos Estevão, O Amigo da Onça e, na última página, sempre um maravilhoso artigo de Raquel de Queiroz. Ininterruptamente, a revista O Cruzeiro foi editada de 1943 a 1975.
Somos do tempo em que se vendia rolete de cana-de-açúcar (caiana) e amendoim torrado, na porta do cinema. E tem mais, nós podíamos entrar com aqueles produtos e, lá dentro, ficar jogando o bagaço na cabeça dos outros. Lembram-se como eram acondicionados os roletes de cana? Uma taboca aberta e os rolinhos espetados ali.
Somos do tempo em que brincar os carnavais com confetes e serpentinas era normal, e, o que era melhor, tomando muito porre de lança- perfume Rodouro. Tínhamos também o lança-perfume Colombina, mas este não tinha um bom aroma. Quem não ia aos bailes com um lencinho no bolso? Quem esquecia o lenço tomava seus porres na manga da camisa mesmo. Qual a marca do lenço? Presidente.
Somos do tempo em que táxi se chamava “carro de praça” e taxista era “chofer de praça”. E os carros de praça eram: Sinca Chambord, Studebaker Street, Buick Roadmaster, Mercoury,DeSoto, Hillmann, Nash, Packard, Dodge, Lincoln, Plimouth Belvedere, Ford Vitória, Aero Willys e até Rural da Willys.
Somos do tempo em que se escrevia de caneta tinteiro, atropelada pela caneta esferográfica. Íamos para o Curso de Admissão com a nossa caneta tinteiro, que, às vezes, derramava a tinta no bolso e ficava aquela mancha difícil de tirar (posteriormente criaram a Parker Quink, lavável). Portávamos também o tinteiro, para o caso dela secar e não passarmos vexames. As marcas eram Sheaffer, Compactor (muito popular entre nós), Pilot e a sofisticada Parker 51, depois a 61, mais moderna.
Somos do tempo em que as motos, tipo Scooter, eram apenas duas: Lambreta e Vespa. Ambas de origem italiana tinham seus pneus muito pequenos, o que gerou muitas quedas. Como não havia a obrigatoriedade de usar capacetes, aqueles tombos trouxeram péssimas conseqüências para alguns. A Vespa, para complicar, ainda tinha o motor do lado, o que obrigava o condutor a empenar o corpo para compensar. Atualmente as Scooters estão de volta, mas se observa que agora seus pneus são bem maiores.
Somos do tempo em que andávamos de bonde, marinete e auto-lotação. Natal tinha duas linhas de bondes: Ribeira/Alecrim e Alecrim/Lagoa Seca. Era um transporte barato e lento, mas muito prazeroso. A linha Alecrim – Lagoa Seca era muito perigosa para quem andava em pé do lado de fora (mas era um charme!); como os bondes passavam muito próximos dos postes, muitos marmanjos quebraram as cabeças ali. Porém, o mais gostoso mesmo era saltar do bonde com ele em movimento.
Somos do tempo em que dávamos corda em relógio de pulso. Nossos relógios ainda não eram automáticos, eram mecânicos e ainda tinham “cabelo”, então, ou se dava corda, sistematicamente, ou eles paravam de funcionar. Os relógios de categoria teriam que ser made in Suisse, todos com corda manual: Tissot, Omega, Mido, Eternamatic, Seiko. Posteriormente, os mesmos fabricantes suíços criaram o relógio automático, como dizia a publicidade da época: “... com o movimento regular e preciso da âncora de rubis que move todo o relógio de qualidade”.
Somos do tempo em que menino tomava purgante. Tomamos muitos purgantes. Entrávamos de férias e as nossas respectivas mães nos impingiam aqueles terríveis purgativos: batata-de-purga, maná-com-sena, óleo-de-ricino e, os farmacêuticos: Neocitram, Limonada Purgativa, Salamargo e Licor de Cacau Vermífugo Xavier. Eca! Já recuperados de tantas caganeiras, era o momento delas (as mães) nos obrigarem a tomar Iofoscal (para a memória da criança) e Emulsão de Scott (a base de óleo de fígado de bacalhau). Eca, de novo! Quando tossíamos? Phimatosan. Ainda tomamos: Licor de Cacau Xavier, Cibalena, Pílulas de Vida do Doutor Ross, Cafiaspirina, Bromil, Capivarol e Biotônico Fontoura. E para aquelas dores de dentes? Cera do Doutor Lustosa.


(Continua amanhã)...

07/09/2010 Publicada por Jesus de Rita de Miúdo.


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