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(Continuação da próxima postagem)

Logo à frente, na Fazenda Cajueiro de Zé Gentil de Dona Bel de Dr. Pedro Pires, fui me juntar ao jovem vaqueiro Roberasmo, cabra competente, doido por vaquejada e, também, praticante da pega de boi no mato. Seguimos em companhia de Abraão Buriti por alguns quilômetros proseando sobre a lida rural e as maravilhas da natureza. Roberasmo e Abrão são desses meninos criados entre a cidade e o sítio, amantes da vida simples e encantados com tudo que diz respeito ao sertão. Neles percebemos que a nossa cultura tem futuro.
Nessa conversa boa fomos dar com o grupo de Francisco Dumont sob um imbuzeiro em terras do saudoso Arnaldo da Mutuca, no sítio do mesmo nome. Os imbus colhidos do pé eram feitos tira-gostos para a Samanaú levada por Dumont, Vânia Bezerra entre nós, era uma das três mulheres enfrentando as veredas na cavalgada, no trio completado por Jordana Mamede e outra menina que não gravei o nome.
Deixei o grupo parado lá e tomei o rumo sozinho sobre o Burro Preto, cuja marcha de pequenos passos me dava satisfação em estar montado. Um animal fabuloso!
Daí, eu alcancei Brigadeiro e Francisco de Sales, com quem dividi o caminho até aonde o meu animal aguentou. Subimos e descemos serras. Paramos para beber água numa casa humilde. Outros serrotes foram vencidos.
Eu estranhava a lentidão do meu animal, quando um jovem vaqueiro que alcançou o nosso trio nos avisou que o meu animal estava “cambriando”. Não entendi o termo, mas ele me explicou. Era necessário fazer uma pausa para o animal urinar. Coisa que fiz. O grupo seguiu me deixando só. Ali fiquei. A caatinga por testemunha.
Puxei o Burro Preto para o que imaginei ser a mais completa sombra, a fim de descansá-lo e na esperança que o bicho “mijasse”. Não o fez. Sozinho ali, eu comecei a me preocupar com a inquietação do burro, com a tremedeira sem suas pernas. Passaram vários vaqueiros desconhecidos, muitos paravam, repetiam o mesmo termo “cambriado” e seguiam me deixando esperançoso de ver a urina descer. Caso contrário, eram unânimes, o animal morreria.
Nisso eu tive a sorte de, meia hora depois de parado, chegar Francisco Dumont. O macho também diagnosticou o mesmo problema e ouviu de mim a preocupação que eu tinha com o pobre animal. Dumont verificou os dentes serrados do burro, retirou a sela e os arreios, forçou o queixo do animal e rapidamente pôs uma das mãos na boca do burro, puxando várias vezes a língua. Depois me acalmou e saiu puxando o burro. Eu fiquei debaixo da árvore aguardando o carro de apoio.
Veio um mototáxi enviado por Vânia, e foi assim, de moto, que eu cheguei ao bar do Povoado Timbaúba, onde mais de cinquenta vaqueiros se divertiam às mesas, muita cerveja e tira-gosto à vontade. Em pouco minutos Dumont chegou puxando o burro.
Gustavo Braz tentou um procedimento. Mas o bicho continuava sem urinar, coisa resolvida por Haroldo. O primo conseguiu uma injeção e, hoje pela manhã, Caíto me deu notícias da boa saúde do animal. Ainda bem.
Bom, dali eu segui no carro de apoio. O fato é que no bar muita farra ainda se deu.
Fui chegar à Fazenda Boa Vista em meia hora, tendo passado antes pela cidade de Frei Martinho. Lá já me esperavam Toinho Medeiros, Arysson Soares, o primo Haroldo, Félix Bezerra, Edílson, Silvino Neto, Chico de Onessino, Caíto, Zé Gentil, Dr. Neto Veterinário, entre outros.
Entre os muitos conhecidos, e outro tanto de desconhecidos, fiquei vendo chegar todo mundo. João Roberto, Marcos Nepomuceno, Brigadeiro, Nedalvan, Guelão, Rodrigo da Elétrica, Gustavo Braz, Francisco Sales, João Aprígio, Ítalo Izael, Cassiano Bezerra, mais os filhos e o irmão Julião Bezerra, Jucilano, Jojó de São Tomé, Ari do Hospital, Roberasmo, Dumont, Vânia Bezerra, Jácio Pitoco, Abraão Buriti...
O meu amigo e companheiro de CERSEL, Alcindo, já por lá se encontrava com Mariano Coelho, Davidson e Chico Severiano, o dono da casa.
A mesa farta estava posta. Era chegar, fazer o prato, encher a barriga sem mesquinharia. Depois ficar ouvindo um trio tocando o melhor forró pé de serra. A farra estava só começando (só findaria na madrugada seguinte, amanhecendo o domingo, comida e bebida ainda sobrando).
A cada nova chegada nascia e se renovava em todo mundo o sentimento de vitória sobre os exatos quarenta quilômetros marcados pelo GPS de Cassiano Bezerra. Apertos de mãos e abraços apertados, os mesmos do começo da manhã, se repetiam ao final da tarde. Além da convicção que os amáveis e simpáticos Chico Severiano e Marília sabem receber como poucos, ficou a certeza que enquanto houver sertão, seco ou cheio; ou enquanto tivermos calor, do ambiente ou humano, aquecendo um coração sertanejo; ou enquanto houver a memória das lidas dos nossos ancestrais, e enquanto nos lembrarmos da figura amistosa de Juarez Pires Galvão, haverá a Cavalgada das Ribeiras do Acauã. Os mais de duzentos vaqueiros - profissionais ou não – que completaram a viagem sabem disso.
O sol de dia e a lua de noite seguirão sendo testemunhas dessa saga que vive o sertanejo. A caatinga resistente e forte como o homem vivendo dentro dela, também testemunha.


27/05/2013 Publicada por Jesus de Rita de Miúdo.


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